segunda-feira, 14 de abril de 2014

Não

Não venhas se não sabes ficar. Não fales se não sabes dizer e nem tentes se não sabes fazer.
Não te desculpes com mediatismos, não te iludas com elitismos.
Não te afastes do que não se iniciou, ou então acaba com aquilo que ainda nem sequer começou.
Não te apaixones pela imagem de amor, nem te sintas confortável em zonas meta-estáveis.
Não queiras o melhor de mim, quer o melhor para mim, não aches que o melhor é "semi-ficares" pois eu não sei "semi-gostar".
Não dês mais um único passo se não queres aceitar o meu todo (não tenho nada a não ser o meu todo).
Não me tapes os olhos para aquilo que foste, que eu não vejo mais nada a não ser o que és.
Não me agarres se não sabes se queres que fique.
Não venhas se não sabes ficar.

31/12/2013
Debato-me constantemente (inclusive por parte da minha família) com este assunto: religião. Encontrei-me há pouco mais de uma década a esse nível, aquando alguma formação na área da dança, onde trabalhamos algum espiritualismo e sensações de dádiva que até então, não me eram primitivas.
Como alguns sabem, eu acredito no KARMA e na dádiva de cada um. Tenho fé. Tenho fé no mundo; na força que o humano exerce sobre a matéria e que a matéria exerce sobre ele; que este será alvo dos seus atos, dado que, como diz a ciência: "nada se perde, tudo se transforma".
Desde cedo me foi incutida a religião. Fui batizada, fiz a primeira comunhão e com nada me identifiquei. Seguia os meus amigos, e simplesmente cedi às pressões sociais. 
Neste momento, sou ateia. Isto é, não sei se ter fé no KARMA e na Vida é uma religião, de facto, porque se for, então é essa a minha religião. Sou sistematicamente confrontada com argumentos de "não existem ateus nas horas de aflição" e "não podes desacreditar que existe uma força sobre-humana que rege o teu caminho". Pois, de facto, em horas de aflição, fiz as míticas promessas de "se conseguir passar neste exame, juro que vou ao São Bentinho com uma dúzia de rosas", mas não acho de todo, que isso me comprometa para com Ele. A nossa raça precisa desses estímulos, e não é por isso que se torna católica ou algo semelhante, mas isto é a minha singela opinião. 
Relativamente às forças que possam existir, para mim, são provocadas pelo Homem. É um facto que somos uma obra brilhante e que o nosso poder mental é extraordinário. É então, para mim, viável que possamos exercer forças desconhecidas sobre qualquer coisa, até porque o cérebro humano ainda é uma incógnita em muitos níveis.
Posto isto, toda gente tem o direito de decidir em que é que acredita. E se eu não critico os que acreditam em Deus (os "não-extremos"), não critiquem quem não acredita. Acho mais válido acreditarem na descendência dos macacos, do que um senhor se ter lembrado e criar um homem, e a partir da costela do mesmo uma mulher. Pessoas essas que acreditam na transformação de água em vinho são, muitas vezes, as que me intitulam de retardada quando confesso que através da meditação e do yoga, se adquire "poderes" brutais de aceitação (que não passam de fantochadas, para elas).
Trabalho arduamente para conseguir tudo o que tenho, e lamento, não dou graças a Deus. Dou graças aos meus pais, e graças à Vida que me proporcionou o facto de ser capaz! Não vou à missa, e geralmente, em celebrações, recuso-me a lá entrar, porque vai contra os meus valores frequentar um local onde não sou "bem-vinda". Não creio na igreja, nem em toda a "economia" que ela gera. Muito menos acredito em 90% das pessoas que lá vão criticar a saia curta que a mulher leva para bradar o Senhor.
Tenho uma mãe católica, avós católicos e por aí em diante. Alguns deles não vão à igreja, mas fazem os seus votos "em silêncio", têm fé, e acreditam. Essa fé, de facto "ajuda-os" e nada tenho a apontar, pois cada um usa a sua motivação da forma mais conveniente. No entanto, confesso entrar em ironias quando me "atacam" após uma cirurgia, "Querida, pede a Deus que te ajude na recuperação, e vais ver que Ele te ouve". Bem, não vamos por aí, acho mais sensato.
De qualquer das formas, não me alongando muito, não peço ajuda a Jesus, ou a Deus, ou à Virgem Maria, porque simplesmente não faz sentido para mim. Se vos dissesse para rezarem a uma vaca (sagrada na Índia) fa-lo-iam? É certo que grande parte não. Então, dado o século em que estamos, ainda tenho o direito de decidir isso.
Um bem-haja e sejam bons com o mundo. Deus não vos ajuda se souberem o Pai Nosso e de seguida criticarem meia comunidade por terem orientações diferentes vossas. 

quinta-feira, 27 de março de 2014

A definição de desespero? "Aproximas-te mais um passo e eu não poderei deixar-te ir. Nunca."

segunda-feira, 24 de março de 2014

29 de Outubro 2013

Percebi que te amava no dia que te deixei ir. Percebi que te amava porque quis que fosses.
Se não te amasse tanto, ter-te-ia pedido para ficares, para me iludires, para ficares "pequeno" ao pé de mim; se não te amasse tanto, levaria o meu egoísmo ao limite, aceitando o pouco que de ti dás, não querendo que aprendesses a dar mais. Amo o que me dás, amo ainda mais o que me deste e só seria possível amar no que te tornarás, se te deixasse ir.
Queria amar menos um bocadinho, mas não se ama pouco. Ou se mastiga esse sentimento que alimenta, ou mais vale nem pôr à boca. Então deixa-me amar-te muito para conseguir perder-te, e riam-se os loucos da minha insanidade que tanto de lógica tenho eu, quanto as risadas altas que dão. Mas que me deixes tu, amar-te, para te mastigar um dia mais tarde. Todo tu na tua completa essência; todo tu, louco às risadas de hoje.

domingo, 16 de março de 2014

Fica perto e some

Não vás. Como se fosse possível ires. Fica. Mais do que estares presente, fica.
O que vai de ti fisicamente é o que falta para estares todo cá. Inteirinho.
Por isso, se é necessário que te vás, fica! Que fique de ti aquilo que faz o pouco de mim ficar. É com esse pouco que me aguento dia após dia, e mais dificilmente, noite após noite. 
O que parte de ti (o teu corpo), arranca de mim uma grande parte que não é, de todo, física; o que parte de ti, faz a minha melhor parte desmembrar-se e ir contigo. Sobra uma peneira, uma porcaria qualquer que me faz deslizar no caminho e enfrentar os demónios que, teoricamente, teria de enfrentar contigo. Então se tu não estás cá, o que fazem eles aqui, ao invés de estarem ao pé de ti, e de grande parte de mim que levas contigo? É um paradigma sem qualquer tipo de lógica. É um contra-natura, só porque vais e não levas tudo de ti contigo, e levas quase tudo de mim!
O interessante no meio disto tudo é que não poderia ser de outra forma. Não poderias ir-te sem ficar, dado que eu fico e metade de mim és tu! Poderia ir eu contigo e metade de mim ficaria cá.
Não te ensinam na Vida a perderes alguém, nem a amar ninguém; muito menos te ensinam a perder metade de alguém. Não te dizem sequer como viver com metade de alguém, no entanto, é preciso fazê-lo. Contra a minha vontade é o que faço: enaltecer a minha metade para quando voltares (e porra, que nunca mais voltas), me vejas concreta e completamente tua. Porque é isso que eu sou papá, completamente tua!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

És música para os meus ouvidos !


És racional  e pouco transparente. Usualmente, confundida com insensível e pouco honesta! A verdade é que sentes o mesmo que os outros, filtras aquilo que te compete e demonstras o que achas útil. Não te comprometes com sentimentalismos fisicamente visíveis, o que te torna menos adorada; ergues a cabeça face aos (falsos) julgamentos, o que te torna mais detestável.
Juntas os mil pedaços em que te fizeram e referes que nunca sequer te partiram; mostras olheiras de sono, que de facto são cicatrizes de choro. Sorris até te doer a face e ofereces gargalhadas reais a todos que te seguram inconscientemente só com a sua presença, o que de facto, a meu ver, é uma terapia bem melhor do que dar o "gostinho", a outras criaturas, de verem verdadeiramente a tua essência lastimável, no momento.
Não deixas de te dar, de amar, de abraçar, de conhecer e gostar; mas tal é visto de forma ligeiramente distorcida (ironizando). És fiel a ti mesma e optas por resolver os teus problemas silenciosamente, sem ninguém ter de "gramar" com mais zonas cinzentas, que nada de amável trazem. Não quer dizer com isto, que não precises de ajuda, no entanto, sabes pedi-la, não são precisas demonstrações sofredoras em via pública, para o fazeres.
Adepta de "se não se pensar/falar num problema, ele não existe", convences-te de que é verdade, administras em ti a tua própria terapia, evoluis enquanto humano, e superas as tuas metas emocionais.
Não seria mais fácil chorar em todos os cantos e mostrar o coração partido a meio mundo? Porque com os "tristes assumidos", o povo pode à vontade.

Carta a quem eu era quando deixei de ser.

Miúda, ela vai partir e tu vais deixar de ser filha. E eu quero-te avisar que ela vai partir esta noite. Não precisas de ir buscar o pijama ...